{"id":81,"date":"2016-05-11T21:48:45","date_gmt":"2016-05-11T21:48:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.mestrephp.com.br\/wordpress\/?page_id=81"},"modified":"2016-05-11T21:59:11","modified_gmt":"2016-05-11T21:59:11","slug":"o-patrono","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.asttral.com.br\/wordpress\/associacao\/o-patrono\/","title":{"rendered":"O Patrono"},"content":{"rendered":"<h2>ALMIRANTE<br \/>\nFRANCISCO CORDEIRO TORRES E ALVIM<br \/>\nBar\u00e3o de Iguatemi<\/h2>\n<p><em>Prof. Guilherme de Andr\u00e9a Frota<\/em><\/p>\n<p><em>Relat\u00f3rio elaborado em parceria com seu companheiro, Segundo-Tenente Jos\u00e9 da Costa Azevedo, existente em manuscrito da \u00e9poca, sem assinaturas, na Se\u00e7\u00e3o de Manuscritos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.<\/em><\/p>\n<figure id=\"attachment_86\" aria-describedby=\"figcaption_attachment_86\" class=\"wp-caption aligncenter\" ><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-86\" src=\"http:\/\/www.mestrephp.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/AlteTorreseAlvim-187x300.jpg\" alt=\"Almirante FRANCISCO CORDEIRO TORRES E ALVIM\" width=\"187\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.asttral.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/AlteTorreseAlvim-187x300.jpg 187w, https:\/\/www.asttral.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/AlteTorreseAlvim.jpg 193w\" sizes=\"(max-width: 187px) 100vw, 187px\" \/><figcaption id=\"figcaption_attachment_86\" class=\"wp-caption-text\">Almirante FRANCISCO CORDEIRO TORRES E ALVIM<\/figcaption><\/figure>\n<h3>PRIMEIROS ANOS<\/h3>\n<p>Nasceu na cidade do Desterro, a 4 de agosto de 1822, segundo filho da numerosa prole de treze, havidos do Chefe de Esquadra Miguel de Souza Mello e Alvim e D. Maur\u00edcia Elysia.<\/p>\n<p>De sua inf\u00e2ncia nas plagas catarinenses pouco se sabe. Com 16 anos e 7 meses, transferiu-se para o Rio de Janeiro, assentando pra\u00e7a de Aspirante por Aviso de 4 de mar\u00e7o de 1839. Cursou a Academia de Marinha alcan\u00e7ando reputa\u00e7\u00e3o de bom estudante, conquistando muitas &#8220;aprova\u00e7\u00f5es plenas&#8221;, a maior honraria da \u00e9poca. Recebeu promo\u00e7\u00e3o a Guarda-Marinha em 11 de dezembro de 1841 e a designa\u00e7\u00e3o de embarque na fragata PARAGUASSU, onde realizou a viagem de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Participou, em seguida, embarcado na fragata CONSTITUI\u00c7\u00c3O, da importante comiss\u00e3o que conduziu a Imperatriz Theresa Cristina de N\u00e1poles at\u00e9 o Rio de Janeiro. Muitos ensinamentos auferiu o jovem Alvim de seu Comandante, o Chefe de Divis\u00e3o Theodoro de Beaurepaire, bem como da pequena corte que envolvia a Imperatriz. A viagem total durou de 3 de mar\u00e7o a 3 de setembro de 1843.<\/p>\n<p>Em pouco mais de tr\u00eas meses, a 21 de dezembro, recebia as platinas de Segundo-Tenente. Embarcado na charrua CARIOCA, seguiu para o sul. Desejoso de se aperfei\u00e7oar, pediu e obteve um est\u00e1gio na Marinha Norte-Americana. Por isso, passou-se para a fragata CONGRESS e, a 13 de janeiro de 1844, seguiu para os Estados Unidos, onde permaneceu todo o ano de 1845 e parte do de 1846. Muitos elogios o acompanharam no regresso. Preparou um extenso Relat\u00f3rio, em parceria com seu companheiro, Segundo-Tenente Jos\u00e9 da Costa Azevedo, existente em manuscrito da \u00e9poca, sem assinaturas, na Se\u00e7\u00e3o de Manuscritos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro.<\/p>\n<h3>NAS GUERRAS DE ORIBE E ROSAS<\/h3>\n<p>Entristeceu-o a incumb\u00eancia de servir no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro: o mar era o seu elemento. Nessa fun\u00e7\u00e3o despendeu pouco menos de um ano, conseguindo reembarcar na fragata CONSTITUI\u00c7\u00c3O, capit\u00e2nia da Divis\u00e3o do Sul. A regi\u00e3o platina estava, a essa \u00e9poca, a exigir cuidados especiais do Governo Imperial, em virtude das pretensiosas atitudes de Juan Manoel de Rosas, Ditador de Buenos Aires. Agiu a nossa diplomacia obtendo a interven\u00e7\u00e3o anglo-francesa, de resultados pouco satisfat\u00f3rios, e reconhecendo a Independ\u00eancia do Paraguai, para onde seguiu uma Miss\u00e3o Militar.<\/p>\n<p>O nosso Governo determinou, tamb\u00e9m, o estacionamento de uma For\u00e7a Naval no Rio da Prata. Em 2 de maio de 1848, o Tenente Alvim achava-se embarcado na corveta DOIS DE JULHO, uma das nove unidades dessa For\u00e7a, as quais respondiam ao comando do Chefe de Divis\u00e3o Ferreira de Oliveira.<\/p>\n<p>Promovido a Primeiro-Tenente (14 de mar\u00e7o de 1849), Alvim ganhou, igualmente, no dia 26, o seu primeiro comando, o brigue-escuna EOLO.<\/p>\n<p>Em megalom\u00e2nico desvario de reconquistar o espa\u00e7o f\u00edsico do Vice-Reinado do Prata, Rosas concedera a Manoel Oribe posto e for\u00e7as para invadir seu pr\u00f3prio pa\u00eds: o Uruguai. 14.000 portenhos cercavam Montevid\u00e9u enquanto os estancieiros brasileiros, residentes naquele pa\u00eds, se viam obrigados a emigrar para terras ga\u00fachas.<\/p>\n<p>Dez longos anos suportaram, os habitantes de Montevid\u00e9u, o ass\u00e9dio das indisciplinadas hostes de Oribe, sustentados, em parte, gra\u00e7as ao apoio financeiro prestado pelo Bar\u00e3o de Mau\u00e1 e por na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias. Fracassadas as negocia\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas, resolveu o Governo Imperial intervir. A 29 de maio de 1851, assinava-se Tratado com o Governo de Montevid\u00e9u, representado pelo General Eug\u00eanio Garz\u00f3n, e com o da prov\u00edncia argentina de Entre Rios, General D. Justo Jos\u00e9 Urquiza.<\/p>\n<p>Na esquadra em opera\u00e7\u00f5es no Rio de Prata, comandada pelo Chefe de Esquadra John Pascoe Grenfell, encontrava-se o brigue CAL\u00cdOPE, comandado por Alvim (desde 5 de junho de 1851), que recebeu ordens de se postar no Canal do Norte. O rigoroso cerco naval e mais o deslocamento de tropas brasileiras, totalizando vinte mil homens, sob a lideran\u00e7a do Conde de Caxias, <i>e a <\/i>interven\u00e7\u00e3o do General Urquiza, provocaram a rendi\u00e7\u00e3o de Oribe a este \u00faltimo em Passo Molino (11 de outubro).<\/p>\n<p>Estava dominado Oribe. Os Chefes Aliados julgaram acertado prolongar as opera\u00e7\u00f5es e derrubar o Ditador Rosas. A 21 de novembro, no acampamento do Arroio Pantanoso, assinaram novo Tratado de Alian\u00e7a, com a ades\u00e3o da prov\u00edncia argentina de Corrientes.<\/p>\n<p>Organizaram, ent\u00e3o, os Chefes Militares, um plano t\u00e1tico, quase todo concebido pelo g\u00eanio de Caxias, o qual inclu\u00eda o transporte de for\u00e7as brasileiras, quatro mil homens chefiados pelo Brigadeiro Manoel Marques de Souza, pelo rio Paran\u00e1, por unidades da Esquadra, a fim de desembarcarem em Diamante, onde efetuariam jun\u00e7\u00e3o com as for\u00e7as de Urquiza. Para tanto era mister atravessar o fortificado Passo de Tonelero, onde o General L\u00facio Mancilla, dois mil argentinos rosistas e 16 pe\u00e7as de artilharia, desejavam impedir o avan\u00e7o de nossos navios e a consecu\u00e7\u00e3o do plano militar.<\/p>\n<p>O Chefe Grenfell disp\u00f4s que somente sete navios de sua for\u00e7a seriam incumbidos dessa miss\u00e3o de transporte. Dentre estes, o brigue CAL\u00cdOPE era o mais fraco em estrutura e armamento para enfrentar as baterias da barranca de Acevedo. Navio de casco de madeira, constru\u00eddo no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, com risco de Jos\u00e9 Joaquim Ribeiro Pimenta, deslocava apenas 194 ton., com propuls\u00e3o a vela, artilhado com uma colubrina de 24 mm e 12 caronadas de 18 mm, possuindo uma guarni\u00e7\u00e3o de 72 homens. Compensava a fortaleza de seu comandante, que, com semblante calmo e de resplandecente bravura, ia abrindo, com a proa de seu brigue, o caminho para a Hist\u00f3ria. Ocupando a cauda da linha, o brigue CAL\u00cdOPE e todos os que nele se achavam naquele dia 17 de dezembro de 1851, sofreram nutrido fogo inimigo. Mas, em oitenta minutos, completava-se a miss\u00e3o que se destinara \u00e0 Marinha.<\/p>\n<p>Alvim recebeu a comenda de Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro (03.03.1852), a Medalha de Prata n\u00ba 2 da Campanha (01.04.1852) e v\u00e1rios elogios que constam de sua F\u00e9 de Of\u00edcio.<\/p>\n<h3>A VIAGEM DA IMPERIAL MARINHEIRO<\/h3>\n<p>Em 8 de agosto de 1852, Alvim entregou o comando do CAL\u00cdOPE e recebeu o do brigue BERENICE. Por decreto de 2 de dezembro de 1854, alcan\u00e7ou o posto de Capit\u00e3o-Tenente. Participou de uma expedi\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tico-militar de desagravo contra o governo de Carlos Ant\u00f4nio Lopez do Paraguai, tendo o Chefe de Esquadra Ferreira de Oliveira se apresentado nas Tr\u00eas Bocas e em Assun\u00e7\u00e3o (14.03.1855) como plenipotenci\u00e1rio do Imp\u00e9rio; mas o distinto militar deixou-se envolver pelos diplomatas paraguaios, prejudicando as conclus\u00f5es de sua miss\u00e3o.<\/p>\n<p>A 15 de setembro de 1855, Alvim foi nomeado comandante da IMPERIAL MARINHEIRO. As suas fa\u00e7anhas nas ondulosas e revoltas \u00e1guas dos mares sulistas bastariam para enobrecer-lhe a mem\u00f3ria. O Governo promoveu-o a Capit\u00e3o de Fragata em 2 de dezembro de 1856.<\/p>\n<p>Regressou ao Rio de Janeiro, designado para a miss\u00e3o de conduzir \u00e0 Europa uma turma de Guardas-Marinhas, viagem que durou de janeiro de 1857 a fevereiro de 1858, na qual conquistou louvor pelo Aviso de 11 de fevereiro de 1858. Alvim era um apologista dessas viagens n\u00e3o s\u00f3 porque ilustrava os futuros oficiais, como informava a outros povos e governos a real situa\u00e7\u00e3o de nossa nacionalidade e cultura. Dela deixou interessante relato o Primeiro-Tenente Sabino Eloy Pessoa em livro intitulado Viagem da Corveta Imperial Marinheiro (Rio de Janeiro, Tip. do Correio Mercantil, 1860, 124 pgs.). A partir de 7 de janeiro de 1859, Alvim passou a ostentar no peito a condecora\u00e7\u00e3o do Oficialato da Ordem da Torre e Espada e, logo depois, a 9 de maio, a usar o H\u00e1bito de Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz.<\/p>\n<p>Em virtude do Aviso de 5 de janeiro de 1860 assumiu o comando interino da Divis\u00e3o Naval do Rio da Prata.<\/p>\n<h3>CASAMENTO E PROLE<\/h3>\n<p>Alvim contraiu matrim\u00f4nio com D. Carmem Genoveva Ferreira, segundo consta, em 1860, com a qual teve filho hom\u00f4nimo, J\u00fanior, nascido em Montevid\u00e9u, em 26.06.1855. Este jovem ingressou na Marinha, seguindo as pegadas do pai, como Aspirante, a 7 de mar\u00e7o de 1871; promovido a Guarda-Marinha a 27 de novembro de 1873; a Segundo-Tenente em 27 de dezembro de 1875, tendo solicitado baixa em dezembro de 1879, sem que pud\u00e9ssemos apurar os motivos. Seu segundo filho, Emilio, tamb\u00e9m nasceu em Montevid\u00e9u, em 1859.<\/p>\n<h3>SONDAGENS OCE\u00c2NICAS<\/h3>\n<p>Nova comiss\u00e3o o aguardava, agora a exigir a arg\u00facia de seus conhecimentos cient\u00edficos. A liga\u00e7\u00e3o da Europa ao Brasil, por interm\u00e9dio de um cabo telegr\u00e1fico submarino, determinou a sondagem e mapeamento de profundidades oce\u00e2nicas. Em julho de 1861, Torres e Alvim passava a comandar a corveta a vapor BEBERIBE com o encargo de sondar o Atl\u00e2ntico, do Cabo de S. Roque at\u00e9 as ilhas de Cabo Verde. Seu substancioso Relat\u00f3rio revela a exatid\u00e3o e o cuidado com que desempenhou essa tarefa. Durante essas fainas ascendeu ao posto de Capit\u00e3o de Mar e Guerra (02.12.1861); j\u00e1 ostentava a condecora\u00e7\u00e3o de Cavaleiro da Ordem de S. Bento de Aviz (09.05.1860).<\/p>\n<h3>OUTRAS COMISS\u00d5ES<\/h3>\n<p>O Governo Imperial resolveu envi\u00e1-lo, uma vez mais, para a Divis\u00e3o Naval do Rio da Prata, exercendo o comando interino da mesma, pela segunda vez, de agosto de 1862 a fevereiro de 1863. Recebeu, em seguida, o comando da corveta BAHIANA e uma cadeira no Conselho Naval. Passou rapidamente pela chefia da Divis\u00e3o Naval da Bahia e do Segundo Distrito Naval. N\u00e3o podia, por\u00e9m, o seu esp\u00edrito inquieto, conformar-se: ansiava por colocar-se ao lado dos que se aprestavam para lutar contra o governo de Atan\u00e1zio Aguirre e a tirania de Francisco Solano Lopez. Pediu e foi atendido.<\/p>\n<p>A 24 de junho de 1865, Alvim passou a integrar a For\u00e7a Naval no Rio da Prata, em comando do Vice-Almirante Visconde de Tamandar\u00e9.<\/p>\n<h3>NA GUERRA DA TR\u00cdPLICE ALIAN\u00c7A<\/h3>\n<p>Cheio de entusiasmo, Torres e Alvim apresentou-se na corveta NICTHEROY no dia 13 de julho. O Vice-Almirante entregou-lhe o Comando da 3\u00aa Divis\u00e3o, estacionada no rio Paran\u00e1. Assumiu-o em 2 de agosto, na corveta BEBERIBE, que recebeu o seu pavilh\u00e3o. Consigo trouxera 400 pra\u00e7as Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, v\u00edveres e muni\u00e7\u00f5es nos vapores MAG\u00c9, IVAI e ITAJAI.<\/p>\n<p>Comandava, a For\u00e7a Naval no rio Paran\u00e1, o Chefe de Divis\u00e3o Manoel Barroso da Silva que, pouco antes, cobrira-se de gl\u00f3rias em frente a Riachuelo e lograra, em seguida, 18 de junho, passar pelas defesas e artilharia paraguaias em Mercedes. Encontravam-se no Chimboral, fundeados, um pouco abaixo de Corrientes. \u00e9 preciso lermos o Di\u00e1rio do futuro Bar\u00e3o do Amazonas para compreendermos os padecimentos daqueles her\u00f3is numa regi\u00e3o de clima agressivo, com 1\/4 de ra\u00e7a e em deplor\u00e1vel estado sanit\u00e1rio.<\/p>\n<h3>PASSAGEM DE CUEVAS<\/h3>\n<p>N\u00e3o tinham esmorecido os inimigos: Lopez ordenara ao Coronel Bruguez que se deslocasse com suas baterias para o passo de Cuevas, altaneira barranca sobre um canal estreito e tortuoso. Bruguez dispunha de 30 canh\u00f5es, foguetes \u00e0 congreve e 3.000 atiradores. Sua miss\u00e3o era destruir a esquadra vencedora de Riachuelo ou, pelo menos, bloque\u00e1-la.<\/p>\n<p>No dia 9 de agosto, o vapor ESMERALDA contatava com a Divis\u00e3o do Chefe Barroso, portando a ordem do Vice-Almirante de movimenta\u00e7\u00e3o. No dia seguinte, Barroso j\u00e1 se encontrava em Bela Vista e se preparava para ultrapassar Cuevas. \u00e0s 10 horas menos um quarto (segundo a parte oficial do Chefe Barroso), teve in\u00edcio o for\u00e7amento da barranca artilhada. Durante meia hora desse 12 de agosto, o fogo vivo e destruidor das baterias paraguaias quase atingia o seu intento. A BEBERIBE, terceiro navio da linha, teve rompido um gualdrope do leme, desgovernando-se na correnteza do rio; n\u00e3o se perturbou Torres e Alvim que, ajudado pelo Primeiro-Tenente Fortunato Foster Vidal e marinheiros, empregou a for\u00e7a de seus m\u00fasculos para dirigir o seu navio enquanto a guarni\u00e7\u00e3o respondia a altura \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es inimigas. Assim, evitou-se um abalroamento com os outros navios e, por certo, um grande desastre. A BEBERIBE somou o maior n\u00famero de mortos e feridos. Mas a Divis\u00e3o Naval do Chefe Barroso fundeava em Rincon de Soto, pouco acima de Goya, mantendo os efeitos da Batalha de Riachuelo.<\/p>\n<p>Enquanto esses efeitos navais prendiam a aten\u00e7\u00e3o, o Ex\u00e9rcito Aliado concentrava-se a leste de Corrientes e ao sul de Tr\u00eas Bocas, preparando-se para invadir o Paraguai. Lopez passara \u00e0 defensiva, encastelado em suas fortalezas inexpugn\u00e1veis, contando, como aliado, com o quase nenhum conhecimento geogr\u00e1fico de seu pa\u00eds.<\/p>\n<h3>A GUERRA DAS CHATAS<\/h3>\n<p>Reorganizada a Esquadra em 21 de fevereiro de 1866, num total de 22 navios, coube a Torres e Alvim o Comando da 3\u00aa Divis\u00e3o (BEBERIBE, MEARIM, YPIRANGA, PARNA\u00cdBA, encoura\u00e7ado TAMANDAR\u00c9 e aviso LIND\u00d3IA). A 17 de mar\u00e7o, entre 8 e 9 da manh\u00e3, desferraram todos de Corrientes em dire\u00e7\u00e3o a Tr\u00eas Bocas. No APA tremulava o pavilh\u00e3o do Vice-Almirante Tamandar\u00e9.<\/p>\n<p>A coloca\u00e7\u00e3o de tropas em solo paraguaio demandava uma opera\u00e7\u00e3o anf\u00edbia que necessitava se revestir do m\u00e1ximo \u00eaxito, condicionada a um estudo da regi\u00e3o fluvial das Tr\u00eas Bocas e adjac\u00eancias. Por isso, o Vice-Almirante nomeou uma comiss\u00e3o hidrogr\u00e1fica (Primeiros-Tenentes Silveira da Mota, Von Hoonholtz e Cunha Couto) e incumbiu Torres e Alvim e sua Divis\u00e3o de prestar-lhe o indispens\u00e1vel apoio militar. Tarefa de imenso risco, levando-se em conta o desconhecimento total daquelas paragens mal ou nunca hidrografadas.<\/p>\n<p>Embu\u00e7ados nos matos ignotos, valendo-se da artilharia do forte de Itapiru, os paraguaios procuravam dificultar a consecu\u00e7\u00e3o desse empreendimento ou, pelo menos, retard\u00e1-lo, abatendo o moral dos que pretendiam invadir seu territ\u00f3rio. Aplicaram com sucesso o terr\u00edvel engenho de sua descoberta, a famosa chata, pequena embarca\u00e7\u00e3o sem locomo\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, armada de um canh\u00e3o de 68. Essa fase permanece conhecida como a Guerra das Chatas. Nesse ambiente iniciaram-se as hostilidades da nossa Esquadra contra os paraguaios.<\/p>\n<p>Enquanto Alvim e seus comandados procediam ao levantamento e sondagem dos canais e passos, conjunto de informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias aos Chefes, multiplicavam-se os duelos de artilharia. O combate do dia 25, contra uma chata e perto de 800 artilheiros paraguaios sustentado pelo TAMANDAR\u00c9 (Comandante Mariz e Barros) e pela HENRIQUE MARTINS (Comandante Jer\u00f4nimo Gon\u00e7alves), demonstrou a bravura de nossos marujos que, por pouco, tomaram a chata; Alvim preferiu inutiliz\u00e1-la pela artilharia. No dia 27, pelas 4 horas da tarde, uma certeira bala penetrou na casamata do TAMANDAR\u00c9, matando 5 oficiais e 14 pra\u00e7as e ferindo 4 oficiais e 10 pra\u00e7as, incluindo o Comandante Mariz e Barros, que morreu depois de amputada a perna esquerda. No dia seguinte, Alvim tamb\u00e9m foi atingido por estilha\u00e7os de um obus de 68, lan\u00e7ado contra o BAHIA, onde se encontrava; mas esse ferimento n\u00e3o se mostrou suficiente para afast\u00e1-lo. Dois dias depois, ainda recebeu a miss\u00e3o de desencalhar o encoura\u00e7ado BRASIL, consumindo doze horas nessa faina.<\/p>\n<p>Os trabalhos de identifica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica prosseguiam. Alvim descobriu um canal pelo norte da ilha de Santana at\u00e9 o Passo de Lenguas (de 5 a 6 de abril), conduzindo o General Hornos (argentino) e o apoiou as for\u00e7as (900 homens) que o Tenente-Coronel Villagran Cabrita levara para a ilha de Redenci\u00f3n, bem fronteira ao forte de Itapiru, numa aut\u00eantica manobra diversion\u00e1ria, intentando iludir os paraguaios que o desembarque se efetuaria naquelas paragens do rio Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Identificado, enfim, o melhor ponto para se efetuar a invas\u00e3o do Paraguai, talvez resultado das pondera\u00e7\u00f5es do Primeiro-Tenente Francisco Jos\u00e9 de Freitas (carta publicada no Tomo IV do Archivo del General Mitre), o Vice-Almirante Tamandar\u00e9 reuniu os Comandantes em sua c\u00e2mara, a bordo do APA (15.04.1866), e transmitiu-lhes as ordens.<\/p>\n<p>Toda a opera\u00e7\u00e3o de embarque e desembarque das tropas, que totalizavam 54.000 homens, \u00e0 frente das quais refulgia o valoroso Manuel Os\u00f3rio, e mais os &#8220;trens de guerra&#8221;, ficou a cargo do CMG Torres e Alvim que, com insignificantes perdas de material, executou a sua miss\u00e3o com rara maestria. Essa a\u00e7\u00e3o conjunta, Marinha e Ex\u00e9rcito, ainda n\u00e3o mereceu o destaque necess\u00e1rio em nossa hist\u00f3ria naval, tamanhos os ensinamentos da arte da guerra dela auferidos.<\/p>\n<h3>BAGAGEIRO<\/h3>\n<p>A confian\u00e7a que Alvim inspirava no venerando Vice-Almirante, colocou-o de novo em a\u00e7\u00e3o, mal terminara o transporte de tropas. Comandando as canhoneiras MEAR l M e HENRIQUE MARTINS e o aviso LIND\u00d3IA, navegou rumo \u00e0 montante do rio Paran\u00e1 at\u00e9 acima de Toledo, em miss\u00e3o de reconhecimento. Munido de melhores informa\u00e7\u00f5es, Tamandar\u00e9 determinou nova posi\u00e7\u00e3o de bloqueio, agora perto de Curuzu, na volta do Palmar. A partir de 5 de julho, Alvim novamente subiu o rio Paran\u00e1 e, durante seis dias, mapeou o que p\u00f4de, sem o aux\u00edlio de nenhum pr\u00e1tico.<\/p>\n<p>Os Generais decidiram, em conselho de 18 de agosto de 1866, que o 2\u00ba Corpo do Ex\u00e9rcito, em comando do Bar\u00e3o de Porto Alegre, devia ser chamado ao teatro da luta, numa opera\u00e7\u00e3o conjunta com a Esquadra. Alvim ficou incumbido da miss\u00e3o de conduzi-los. Comandando a 4\u00aa Divis\u00e3o, composta das canhoneiras IVAI, ARAGUARI, MARACAN\u00c3 e HENRIQUE MARTINS, supervisionou os transportes MARC\u00cdLIO DIAS, PRESIDENTE, GALGO, CHARRUA, GENERAL FLORES, ISABEL, PEDRO II, LEOPOLDINA, RIACHUELO, 16 DE ABRIL, al\u00e9m do ONZE DE JUNHO que servia de hospital e 3 chatas, conduziu, em duas viagens, o efetivo do Bar\u00e3o de Porto Alegre, do Passo da P\u00e1tria, a partir de 31 de agosto, para a Guarda do Palmar, completando-se, a 2 de setembro, o desembarque. Esse efetivo totalizava 8.385 homens: 4.141 infantes, 3.534 cavalarianos e 710 da artilharia. O Bar\u00e3o elogiou as dilig\u00eancias do Comandante Alvim e seu procedimento ativo.<\/p>\n<p>E o nosso biografado, sempre bem-humorado, alcunhava o seu importante servi\u00e7o de bagageiro. Elogios, por\u00e9m, n\u00e3o lhe faltavam. N\u00e3o participava, contudo, como era o seu desejo, diretamente da luta. Desempenhou, ainda, uma pequena comiss\u00e3o de policiamento, cortando as comunica\u00e7\u00f5es que os de Corrientes faziam com os paraguaios; utilizando pequena for\u00e7a (MEARIM, IVAI e HENRIQUE MARTINS) obteve \u00eaxito total.<\/p>\n<p>Apesar da vit\u00f3ria diante de Curuzu, o fracasso do assalto a Curupaiti provocou abatimento geral nos Aliados. Muitos sugeriram ao Governo Imperial negociar uma paz. Mas o Imperador Pedro II, esposando os sentimentos militares nacionais, firmava o ponto de vista da continuidade da guerra, convencendo-se da necessidade de um comando \u00fanico para as for\u00e7as de terra e mar.<\/p>\n<h3>O FOR\u00c7AMENTO DE CURUPAITI<\/h3>\n<p>A 20 de novembro (1866), o Marqu\u00eas de Caxias assumia, em Tuiuti, o Comando em Chefe das For\u00e7as Militares Brasileiras; pouco depois, a 22 de dezembro, o Chefe de Esquadra Joaquim Jos\u00e9 Ign\u00e1cio recebia o da Esquadra, passado pelo Vice-Almirante Tamandar\u00e9 a bordo do vapor ISABEL.<\/p>\n<p>Nova miss\u00e3o de policiamento, no m\u00eas de dezembro, permitiu que Alvim e seus subordinados inutilizassem v\u00e1rias chalanas no arroio Carai\u00e1 e incendiassem um acampamento paraguaio em frente a Itati.<\/p>\n<p>Reorganizada a Esquadra em tr\u00eas divis\u00f5es, coube a Alvim o Comando da 3\u00aa (encoura\u00e7ados BAHIA, MARIZ E BARROS, COLOMBO e TAMANDAR\u00c9; corvetas PARNA\u00cdBA, MEARIM e ARAGUAIA), arvorando seu pavilh\u00e3o no MARIZ E BARROS, em 13 de janeiro de 1867, passando-se, a 25, para o SILVADO. A 21, o Governo Imperial promoveu-o a Chefe-de-Divis\u00e3o.<\/p>\n<p>Imediatamente, a Esquadra entrou em opera\u00e7\u00e3o, bombardeando (2 de fevereiro) o baluarte de Curupaiti, ocasi\u00e3o em que morreu o comandante de seu navio, CT Manoel Ant\u00f4nio Vital de Oliveira, quando um elo do estai da chamin\u00e9 lhe atravessou o pulm\u00e3o (a Marinha, comemora, nesse ano de 1979, seu sesquicenten\u00e1rio de nascimento). Novo ataque de sua Divis\u00e3o a 8 de mar\u00e7o, das 6 e 30 \u00e0s 8 e um quarto da manh\u00e3, com 532 disparos.<\/p>\n<p>A Semana Ilustrada, prestigioso peri\u00f3dico da Corte, informava, com detalhes, aos seus leitores, os eventos militares; come\u00e7ou a estampar uma correspond\u00eancia, assinada por Leva Arriba, de tudo que acontecia com a Esquadra. Acreditamos que esse pseud\u00f4nimo escondia a identidade do pr\u00f3prio Chefe Joaquim Ign\u00e1cio. Na carta de 3 de mar\u00e7o de 1867, publicada na edi\u00e7\u00e3o de 24 do mesmo m\u00eas e ano, Leva Arriba diz: &#8220;O Chefe Alvim tamb\u00e9m pertence ao n\u00famero dos simp\u00e1ticos pela lealdade de seu car\u00e1ter, nobreza de a\u00e7\u00f5es e reconhecida bravura.&#8221; Eis a\u00ed um depoimento aut\u00eantico.<\/p>\n<p>No comando de sua Divis\u00e3o, Alvim liderou outro bombardeio a 29 de maio, quando o Vice-Almirante Ign\u00e1cio simulou o for\u00e7amento do passo de Curupaiti, formidavelmente artilhado por 29 canh\u00f5es de diversos calibres, destacando-se El Cristiano, e com uma guarni\u00e7\u00e3o de 300 homens, sob a orienta\u00e7\u00e3o do Coronel Paulino Allen. Depois desse reconhecimento, entendeu o Vice-Almirante dar nova organiza\u00e7\u00e3o \u00e0s for\u00e7as sob o seu comando, ficando o Chefe Alvim com a 1\u00aa Divis\u00e3o (LIMA BARROS, HERVAL, SILVADO, CABRAL e BARROSO). Em Ordem-do-Dia de 21 de julho de 1867, o Vice-Almirante enfatizava: &#8211; &#8220;No momento em que for dada a ordem de avan\u00e7ar, conto convosco: teremos uma hora de sofrimentos, mas deixaremos Curupaiti pela popa, e deixar Curupaiti pela popa, significa aniquilar o prest\u00edgio do inimigo e destruir a primeira tranqueira que separa Assun\u00e7\u00e3o do resto do mundo civilizado.&#8221;<\/p>\n<p>A 15 de agosto, os encoura\u00e7ados brasileiros, bem conduzidos por homens de valor e coragem, escreviam, por quase duas horas, uma not\u00e1vel p\u00e1gina de nossa hist\u00f3ria. O Chefe Alvim, com seu pavilh\u00e3o no LIMA BARROS, participava de tudo ativamente, alvo de maior n\u00famero de balas inimigas (47 no total), pois cobria a retaguarda. Seu navio teve 25 homens fora de combate, 3 mortos, perdendo o bra\u00e7o esquerdo o CT Elisiario Jos\u00e9 Barbosa, comandante do TAMANDAR\u00c9, amputado pelos cirurgi\u00f5es da armada Jo\u00e3o Damazio, Jos\u00e9 Caetano da Costa, Manuel Saraiva, Jos\u00e9 Pereira Guimar\u00e3es, Justino Rabello e Manoel Joaquim da Rocha Frota, este genro do Vice-Almirante.<\/p>\n<p>Transposta esta formid\u00e1vel fortifica\u00e7\u00e3o, nossos encoura\u00e7ados jogaram ferros diante de Humait\u00e1, a intranspon\u00edvel. Sua imensa estrutura artilhada inspirava respeito mesmo aos mais audazes. Por isso, o Comandante-em-Chefe, feito Bar\u00e3o de Inha\u00fama, manobrou os navios e os colocou em posi\u00e7\u00e3o defensiva e bloqueadora.<\/p>\n<h3>HUMAIT\u00c1<\/h3>\n<p>Para que se processasse um fluxo normal de abastecimento para os encoura\u00e7ados da Divis\u00e3o Avan\u00e7ada, o Chefe Alvim lembrou a constru\u00e7\u00e3o de uma estrada de ferro pelo Chaco, pela qual transitariam muni\u00e7\u00f5es de boca e de guerra e se escoariam feridos. Seu nome est\u00e1 definitivamente a ela ligado pois a ideou. Esta estrada, ligando Porto Elisiario a Qui\u00e1, constru\u00edda por fuzileiros navais e prisioneiros paraguaios, recebeu o nome de Afonso Celso (ent\u00e3o Ministro da Marinha) e permitiu a perman\u00eancia da Esquadra em ponto estrat\u00e9gico \u00e0 vista de Humait\u00e1, fustigando a formid\u00e1vel fortaleza, alquebrando o \u00e2nimo dos advers\u00e1rios, produzindo avarias consider\u00e1veis. Nessa ocasi\u00e3o (28.12.1867), Alvim foi promovido a Oficial da Ordem do Cruzeiro.<\/p>\n<p>O Almirante Inha\u00fama aguardava a chegada de tr\u00eas novos monitores para ordenar o for\u00e7amento de Humait\u00e1; o bombardeio incessante provocara a ruptura dos cabrestantes que sustentavam as correntes, \u00f3bice ponder\u00e1vel; o rio apresentava-se em cheia. O Chefe Alvim fora chamado pelo Almirante para seu Chefe de Estado Maior (03.02.1868), exercendo cumulativamente o Comando da 2\u00aa Divis\u00e3o, deixando, portanto, o da 1\u00aa que vinha desempenhando. Por esse motivo, Alvim n\u00e3o participou diretamente da Passagem de Humait\u00e1 verificada, com \u00eaxito, a 19 de fevereiro, liderada por Delfim Carlos de Carvalho, agraciado Bar\u00e3o da Passagem. Curvavam-se todos \u00e0 per\u00edcia e destreza dos brasileiros.<\/p>\n<p>Com a ca\u00edda de Curupaiti em m\u00e3os do Ex\u00e9rcito Aliado, ficava sem efeito a divis\u00e3o da Esquadra, que voltou a se unir, reorganizada em quatro divis\u00f5es. Alvim foi mantido como Chefe do Estado Maior. Continuavam os bombardeios sobre Humait\u00e1. Cercados e faltos de v\u00edveres, os paraguaios abandonaram a posi\u00e7\u00e3o. Nesse momento, Alvim tudo previa e provia; com seu pavilh\u00e3o no LIMA BARROS, multiplicava sua atividade, transformando em fuga a retirada dos ocupantes de Humait\u00e1; alguns poucos reuniram-se \u00e0s for\u00e7as lopistas. Sitiados por terra e \u00e1gua, na lagoa Ver\u00e1, os paraguaios se defenderam heroicamente e deram muito trabalho. Combates di\u00e1rios em canoas e tremendos corpo-a-corpo na regi\u00e3o alagadi\u00e7a do Chaco, entre 26 de julho e 5 de agosto, permitiram a rendi\u00e7\u00e3o de grande parte da guarni\u00e7\u00e3o de Humait\u00e1.<\/p>\n<h3>ANGUSTURA<\/h3>\n<p>Terminada essa faina, Alvim dirigiu-se a Pilar, fundeou e aguardou o Almirante Inha\u00fama. Este ordenou-lhe que for\u00e7asse o Passo de Angustura e se juntasse com a divis\u00e3o do Bar\u00e3o da Passagem. Alvim suspendeu a 26 de novembro, com o HERVAL, CABRAL, COLOMBO, MARIZ E BARROS, canhoneiras BELMONTE, HENRIQUE DIAS e FILIPE CAMAR\u00c3O e bombardeiras PEDRO AFONSO e FORTE DE COIMBRA e, depois de muito atirar contra a referida fortifica\u00e7\u00e3o, cumpriu a miss\u00e3o ordenada. O Governo galardoou-o com a promo\u00e7\u00e3o a Dignat\u00e1rio da Ordem do Cruzeiro (28.12.1868) e o Imp\u00e9rio Russo o dignificou com a Gr\u00e3-Cruz da Ordem de S. Estanislau.<\/p>\n<p>Assim, a 6 de fevereiro de 1869, Alvim deixava o cargo de Chefe do Estado Maior, chegando ao Rio de Janeiro a 23 do mesmo m\u00eas. Seu estado de sa\u00fade exigia repouso e recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>NOVAS COMISS\u00d5ES<\/h3>\n<p>Decreto de 2 de dezembro o promoveu a Chefe de Esquadra, bem como o nomeou membro efetivo do Conselho Naval. J\u00e1 em grande parte refeito, recebeu a comiss\u00e3o de comandar o 1\u00ba Distrito Naval, em 17 de novembro de 1870; arvorou a sua ins\u00edgnia no encoura\u00e7ado BRASIL. Nele o Chefe Alvim i\u00e7ou pela \u00faltima vez o seu pavilh\u00e3o, \u00e9poca em que recebeu a medalha de Oficial da Imperial Ordem da Rosa (08.06.1871). A 26 de setembro, recebeu a nomea\u00e7\u00e3o para ocupar o cargo de Encarregado do Quartel General (hoje seria Chefe do Estado Maior da Armada); assumiu o posto a 27 de outubro.<\/p>\n<p>Muitas vezes condecorado, Mo\u00e7o Fidalgo da Casa Imperial, obteve, a 10 de julho de 1872, o t\u00edtulo de BAR\u00c3O DE IGUATEMI (rio afluente do Paran\u00e1, localizado em Mato Grosso do Sul).<\/p>\n<p>Dedicou-se a diversas atividades administrativas na comiss\u00e3o de Encarregado do Quartel General, sempre empregando seu talento, experi\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o. Decreto n\u00ba 5278, de 10 de maio de 1873, colocava em execu\u00e7\u00e3o novo Regulamento do Quartel General, de sua autoria.<\/p>\n<h3>DE NOVO NO PARAGUAI<\/h3>\n<p>Pouco depois, em 28 de agosto, Iguatemi deixava esses encargos, muito louvado pelos servi\u00e7os prestados. O Governo resolvera destin\u00e1-lo para uma \u00e1rdua miss\u00e3o: a de desmontar todo o material da Marinha existente no Paraguai. Assim, nomeado Chefe das For\u00e7as Navais do Brasil no Paraguai e Mato Grosso, embarcou-se no vapor VASSIMON e, a 20 de setembro, assumia seu cargo em Assun\u00e7\u00e3o, servindo-lhe de capit\u00e2nia o encoura\u00e7ado BARROSO. Desenvolvendo grande atividade, o Bar\u00e3o p\u00f4de preparar todo o material que devia ser transportado para Lad\u00e1rio ou para o Rio de Janeiro. Conclu\u00edda a tarefa, pediu exonera\u00e7\u00e3o e passou o comando ao Bar\u00e3o da Passagem, em 5 de julho de 1874.<\/p>\n<h3>NA DIRE\u00c7\u00c3O DA ESCOLA DE MARINHA<\/h3>\n<p>Retornando ao Rio de Janeiro, Iguatemi voltou a integrar o Conselho Naval (06.08.1874), do qual se afastara, assumindo, a 23 de novembro, o cargo de Diretor da Escola de Marinha, em cuja comiss\u00e3o ascendeu ao posto de Vice-Almirante Graduado (Decreto de 28 de dezembro). Nesta Escola, formadora dos futuros oficiais, deixou, o Bar\u00e3o, impresso o seu car\u00e1ter, com o exemplo de sua personalidade e passado glorioso nos jovens Aspirantes. Seu esp\u00edrito reto e firme e as m\u00faltiplas e variadas atividades que anteriormente exercera, o auxiliaram na tarefa de reorganizar o antigo estabelecimento de ensino, cujo regulamento apresentava-se, por vezes, confuso. E devemos lembrar que a ele devemos a institui\u00e7\u00e3o de pr\u00eamios anuais, inicialmente pagos de seu pr\u00f3prio bolso. \u00c9 tamb\u00e9m importante acrescentar que colaborou na cria\u00e7\u00e3o do Col\u00e9gio Naval, nascido no ano de 1876.<\/p>\n<p>Alcan\u00e7ou a efetiva\u00e7\u00e3o no posto de Vice-Almirante a 3 de dezembro de 1880. No ano seguinte, 29 de janeiro, era galardoado com o grau de Comendador da Ordem de S. Bento de Aviz.<\/p>\n<p>Deixando a dire\u00e7\u00e3o da Escola de Marinha em 4 de fevereiro, dirigiu-se ao sul, em miss\u00e3o de inspe\u00e7\u00e3o aos estabelecimentos e for\u00e7as navais. Regressou a 22 de junho. Seus relat\u00f3rios propunham diversas medidas que revelavam o zelo do honrado militar. Muitos louvores o conduziram ao posto mais elevado de Almirante Graduado (Decreto de 22 de abril de 1882), Mas o antigo e rijo her\u00f3i envelhecera, encanecendo os cabelos no \u00e1rduo servi\u00e7o da P\u00e1tria; o porte ereto e atl\u00e9tico cedera a um corpo magro e reum\u00e1tico. Fortes dores no bra\u00e7o direito n\u00e3o mais lhe permitiam vestir a sobrecasaca do uniforme. Caracterizado um aneurisma, pensou-se em uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica; ainda assistiu a morte da m\u00e3e (26.01.1883) e, dias depois, 10 de fevereiro, prostrado em seu leito, disse: &#8211; Deixem-me dormir.<\/p>\n<p>Dormiu para sempre o ilustre Bar\u00e3o.<\/p>\n<h3>CONCLUS\u00c3O<\/h3>\n<p>Torres e Alvim, l\u00eddimo patriota, not\u00e1vel marinheiro, nunca recebeu o bafejo da sorte, n\u00e3o mendigou postos ou comiss\u00f5es, nem correu atr\u00e1s de honrarias: arrebatou-as com sua bravura, sofrendo, ao longo da carreira, diversas injusti\u00e7as, sem diminuir o seu fervor marinheiro. Perseguiu, em toda a sua vida, um ideal, o de bem servir \u00e0 P\u00e1tria e \u00e0 Marinha, independente dos que gravitavam em seu redor. Se o podemos elogiar como militar, se o devemos dignificar como her\u00f3i dos mais duetos da constru\u00e7\u00e3o da nacionalidade, n\u00e3o \u00e9 justo esquecermos o cientista que obteve, pela modifica\u00e7\u00e3o dos prumos, resultados mais precisos, visando o cumprimento de uma miss\u00e3o hidrogr\u00e1fica, nem devemos olvidar o seu conhecimento ecl\u00e9tico, precursor do estofo que hoje constitui apan\u00e1gio de um bom militar.<\/p>\n<p>N\u00e3o desejamos concluir esse pequeno estudo biogr\u00e1fico sem omitir o que nos parece ser a defini\u00e7\u00e3o de sua personalidade. Seus afanosos dias guerreiros permitiram-lhe compreender o valor do soldado brasileiro; lembrou-se, ent\u00e3o, de construir um monumento ao MARINHEIRO DESCONHECIDO, tombado em guerra. Projetou uma subscri\u00e7\u00e3o p\u00fablica, arrecadou a necess\u00e1ria quantia e o mandou erigir na Fortaleza de Villegagnon, sede do Quartel de Marinheiros, inaugurando-o a 13 de dezembro de 1876. Coincid\u00eancia apenas? Ou este invulgar homem anteviu que o dia do nascimento do Marqu\u00eas de Tamandar\u00e9, que na ocasi\u00e3o ainda vivia, serviria, mais tarde, para glorificar o Dia do Marinheiro? Fica a pergunta no ar, pois n\u00e3o conseguimos adentrar em seu pensamento, tal a falta de documentos. O Monumento desapareceu v\u00edtima de posterior administra\u00e7\u00e3o. Permaneceu, por\u00e9m, a gl\u00f3ria de seu idealizador.<\/p>\n<p>Extra\u00eddo da Revista A Fragata edi\u00e7\u00e3o de 1979<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALMIRANTE FRANCISCO CORDEIRO TORRES E ALVIM Bar\u00e3o de Iguatemi Prof. Guilherme de Andr\u00e9a Frota Relat\u00f3rio elaborado em parceria com seu companheiro, Segundo-Tenente Jos\u00e9 da Costa Azevedo, existente em manuscrito da \u00e9poca, sem assinaturas, na Se\u00e7\u00e3o de Manuscritos da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro. 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